Saltério Reformado

27/01/2011

Salmos no YouTube

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Salmos da CBS gravados para ensinar a melodia.

Veja aqui.

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09/12/2010

A Igreja Deveria Salmodiar Mais

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Leia o artigo na íntegra no site da editora Ultimato.

02/01/2010

Goudimel

Filed under: Culto Reformado e os Salmos — Tags:, , , — Lucas G. Freire @ 00:51

por Duck Schuler

Quando músicos pensam a respeito de boa música de igreja, o adjetivo “reformada” não costuma ser o primeiro a vir à mente. É mais que provável que se pense no coral luterano, no antema anglicano ou até mesmo na grandiosa polifonia renascentista e no ordinário da missa católico-romana. Mas música reformada? Raramente. E isso se deve em geral a uma distorção por parte de cristãos reformados em relação à teologia da música em Calvino. Frequentemente citado falsamente como um desprezador da música, Calvino desejava que a música (e, particularmente, os Salmos) desempenhasse um papel de destaque na liturgia da igreja. Para tal finalidade, ele supervisionou a montagem do que se tornou talvez o maior hinário (melhor dizendo, saltério) jamais publicado na história da igreja moderna.

Calvino testemunhou o desenvolvimento do Saltério de Genebra ao longo de vinte e três anos. Diversos saltérios incompletos foram publicados, mas a versão final completa apareceu em 1562. Dentro de poucos anos, toda a Europa estava a cantar os Salmos confore as melodias genebrinas. O que fez com que o Saltério de Genebra fosse tão bem-sucedido? Para mencionar somente um fator, as melodias constituem excelente música veiculada na mais simples forma. Porém, seu sucesso também se deve consideravelmente ao trabalho de Claude Goudimel, músico, publicador e huguenote [ou calvinista francês]. Goudimel não escreveu uma só melodia para o Saltério de Genebra, mas ele harmonizou todo o saltério duas vezes e estava a compor motetos baseados em diversos dos Salmos quando faleceu. Foi mediante a publicação dessas harmonizações, feitas para serem usadas no lar, que os Salmos genebrinos foram primariamente disseminados.

Até onde se sabe, Goudimel nasceu em Besançon, França, entre 1514 e 1520. Sua primeira composição publicada (1549) foi uma “chanson” escrita enquanto era ainda estudante na Universidade de Paris. Dois anos mais tarde, tornou-se revisor para a casa editora recém-formada por Nicolas Du Chemin. Daí em diante, Goudimel se tornou seu editor musical e sócio até 1555, trazendo grande sucesso a Du Chemin no mercado de publicação de partituras. A criação musical de Goudimel durante aqueles anos e até a década de 1560 foi prolífica, incluindo quatro das suas cinco “missas”, três “Magnificats”, dezenove “chansons” espirituais, dezenas de “chansons”, oito livros de Salmos arranjados como “motetos” e duas harmonizações completas do Saltério de Genebra.

O primeiro dos saltérios de Goudimel foi publicado em 1562 em Paris por Le Roy e R. Ballard e continha, inicialmente, oitenta e três Salmos. As melodias haviam sido tomadas do Saltério de Genebra de 1551. Quando o Saltério de Genebra foi completado em 1562, Goudimel pôde então terminar o seu saltério e harmonizar todos os cento e cinquenta Salmos. Seu saltério completo foi publicado em 1564. As melodias encontravam-se na voz do tenor, com exceção de algumas que foram colocadas no soprano. As harmonizações foram dispostas em contraponto nota-contra-nota, uma forma que alguns hinos seguem.

Os herdeiros de François Jaqui republicaram o saltério de Goudimel em Genebra, 1565. Esta edição (frequentemente chamada de Saltério de Jaqui) aparentemente foi formulada para uso eclesiástico e doméstico, visto que inclui as Formas de Prece, que é a liturgia genebrina. Também inclui o catecismo, o credo das Igrejas Reformadas e o texto completo dos Salmos metrificados com suas respectivas disposições musicais. Esta edição, além disso, é prefaciada por um texto de Calvino e, também, pela “epístola” introdutória de Teodoro Beza publicada no Saltério de Genebra de 1562. Os arranjos vocais não foram feitos para uso na igreja, e sim no lar. Goudimel deixa isso claro em seu texto introdutório:

“Aos Nossos Leitores: Às melodias dos Salmos nós, neste pequeno volume, adaptamos três vozes, não para vos induzir a cantá-las na Igreja, mas sim para que possais vos regozijar em Deus em privado, em vossas casas. Isso não deve ser visto como uma coisa perversa, ainda mais porque a melodia a ser utilizada na Igreja foi deixada em sua versão integral, [podendo ser vista] tal como se somente ela tivesse sido publicada”.

Apesar disso, dentro de uma só geração, os Salmos eram em diversas ocasiões entoados com todas as quatro vozes na igreja e a versão de Goudimel era a mais usada dentre todas. As harmonizações eram tão populares que mesmo os luteranos as emprestaram (quase que verbatim) para uso no saltério alemão editado por Ambrosius Lobwasser. Pelo Saltério Lobwasser (Leipzig, 1573), a influência da tradição genebrina foi claramente marca da hinódia luterana daquela época.

No seu segundo arranjo completo dos Salmos, Goudimel utilizou as melodias genebrinas tradicionais. Elas foram, na maioria, colocadas na voz do soprano, ao passo que as demais vozes empregavam um contraponto mais imitativo. Entretanto, o contraponto não era tão elaborado a ponto de ser confundido com o estilo “moteto”. Esses belos arranjos foram publicados em 1568.

Goudimel vivia na cidade huguenote de Metz quando trabalhou nesses saltérios. Ele se tornou huguenote por volta de 1560. Deixou Metz em 1567 porque o novo governador era hostil aos protestantes. Viveu em sua cidade natal de Besançon por um curto período, até mudar-se para Lyons. Durante as convulsões que varreram a França no massacre do Dia de S. Bartolomeu, Goudimel foi martirizado quando o massacre fez seu efeito surtir em Lyons entre 28 e 31 de Agosto de 1572.

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O Autor: O Dr. Louis E. “Duck” Schuler Jr. já foi professor de música e línguas antigas em diversos seminários e universidades cristãs. Especializado em hinodia protestante alemão, Schuler editou recentemente a compilação Cantus Christi, para canto congregacional.

Traduzido por: Lucas G. Freire (Jan. 2010).

Fonte: Credenda Agenda, 11(5), 1999, p.17.

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